Apresentações foram
realizadas na noite de sábado, com participação de grupos e artistas de Campinas
e Região em evento ao ar livre e com acesso gratuito
A Geração Underground realizou sábado, dia 23 de maio de
2015, nova edição do projeto Aqui Tem Grupos Ensaiando, no Jardim Telesp,
bairro da região Sudoeste de Campinas, interior de São Paulo, com participação
de diversos grupos e outros artistas do Hip Hop da cidade e também da região,
em apresentação gratuita para a população, que é promovida mensalmente. A
próxima edição é dia 20 de junho, com participação de grupos como o Consciência
Humana. Dia 6 de junho acontece o “Aqui Também Tem Grupos Ensaiando”, no Jardim
Maia Rosa, bairro vizinho ao Telesp, com o grupo Sistema Negro.
A edição do projeto contou com a participação de nomes como Gregory, Cizo Marfin, Mr. Kill, Don K-Pone, Sacramento, Paulimnho Morais e Sagat. "É o fortalecimento para
o rap de Campinas e Região, que estava meio abandonado. Este projeto está puxando
as pessoas que fazem rap e andava meio esquecido". A opinião é da cantora
Viviana Mírian Mathias, que se apresentou fazendo uma participação especial em
"Qual O Destino de Um Safado", de Don K-Pone, com quem ela também
gravou recentemente. Viviana também é parceira do grupo Estilo Malokeiro (Dr.
Sinistro e Gabriel Galo) e comparou a cena proporcionada pelo projeto da
Geração Underground aos que chama de "época de ouro" do rap,
referindo-se à década de 90 e início dos 2000.
Ela disse que percebe também uma retomada da participação
das mulheres no cenário do rap. Viviana canta Rithm & Blues, mas teve um
grupo de rap no passado, o Quatro Bases. "Cantávamos na batida do rap, mas
não falando. Só nos Estados Unidos que havia este estilo de som. A gente fazia
músicas com melodia", lembra. À época produziram ao lado de grupos como o
Realidade Cruel, de Hortolândia. No Quatro Bares ela cantou com Dina Di e teve
músicas como "Mulheres de Fato". Hoje, em carreira solo, está com a
gravadora Reakisc, de Campinas. "Em breve, mas ainda sem data definida,
sai o meu disco de R&B". Viviana também destacou sua participação no
trabalho de Fábio Soul, com a música "Cada Um Pro Seu Lado".
"A gente tem que se desdobrar", observa a cantora
que no cotidiano trabalha com beleza e numa empresa onde atua na análise de
processos da área de direito do consumidor. Ela lembra que começou cantar com
14 anos, ouvindo o pai, o funcionário público Jurandir Mathias, que também
tocava violão. "Ele era muito fã do Ray Coniff", conta. "Aí eu
ficava lá no quarto dele escutando música".
Viviana lembra também que suas primas cantavam na igreja e
que, numa ocasião, voltavam de um baile da antiga boate Nifama, quando
sentou-se à escadaria dos Correios, no Centro da cidade, e o amigo Kid Nice, do
grupo Sistema Negro, questionou porque elas não começavam a trabalhar como
grupo. Estavam ela e as primas, Janaína Bomfim, Eide Maria, Andréia e Adriana
Neves Assis. "Só paramos com o grupo em 2006". Ela ficou um período
sem cantar e voltou à ação com o rap gospel do grupo Samaritanos, que já se
apresentou em outra edição do projeto Aqui Tem Grupos Ensaiando. "O que eu
quero é cantar Rithm And Blues", afirma.
Já o Cizo Marfin, que também se apresentou no sábado, no
Jardim Telesp, é rap com uma pegada reggae e ragga. Os rapazes do grupo deram
uma entrevista em que falaram sobre a iniciativa da Geração Underground e que
consideram o projeto como marco na cultura Hip Hop, não só do interior do
Estado, mas da cena geral do rap. Petrus, um dos integrantes do Cizo Marfin
(também formado por Dent e Ganjahimc) disse que vem frequentando o espaço há
meses. Dent então disse que vem desde a primeira edição e Ganja este declarou:
"Estive em todas as edições do projeto". Os três deram entrevista
dentro da casda do Dr. Sinistro, que ao lado de Don-K-Pone e Galo, formam a
equipe Geração Underground.
Petrus: "A iniciativa é muito válida e muito
construtiva porque assim dá para a rapaziada se apresentar". Ele também
afirma: "Eu considero que agora a cena do rap está bem borbulhando".
Dent destaca que como esta, estão surgindo várias oportunidades para os grupos
se apresentarem e Ganja ressalta que estão acontecendo muito mais eventos. Eles
também falaram sobre o projeto próprio que se chama "Fósseis Vivos" e
que já conta com cinco faixas prontas. São elas músicas como
"Dificuldades", em que falam que desde os primórdios tudo é difícil e
que, nas palavras dos membros do grupo, "tudo que é complicado é mais
gostoso" pois, para eles, dificuldade nunca foi desculpa para o rap. Em
outra música, "Mentes Mistérios", falam do "lado sujo da vida,
da pobreza, mediocridade", e de amigos "perdidos". Em "De
Frente Pro Mar" investem em um momento para devaneio, ou "algo mais
clean", como preferem definir.
Explicam que é neste som que tratam de
"algo almejado", "como um momento em que você está de frente
para o mar" ou "como se fosse um sonho". "Legalizei"
aborda um contexto mais amplo e "Fósseis Vivos", que intitula o
trabalho, fala dos três integrantes do grupo. Resta ainda "Cenas
Reais", música que já está pronta e em que falam sobre a pichação.
Provavelmente um ponto importante para destacar é que toda a produção
instrumental nas músicas é do próprio grupo", sempre com bastante
elementos do reggae e do ragga, "afinal", salienta Petrus, "o
rap veio daí".
Sagat, que vem do eixo Indaiatuba-Salto, cantou no "microfone aberto" e participa pela segunda vez do Aqui Tem Grupos Ensaiando. "Este projeto é 100% rap nacional. A comunidade está carente de eventos de rap", opina. "O rap é cultura da favela e desde criança a gente sofre com a falta de muitas coisas", dentre elas, destaca, a cultura. E para ele, um dos pontos positivos do projeto está em sua independência, "conquistada" por artistas que não enriqueceram "traindo o movimento". Ele tem duas músicas prontas. Uma delas é "Preciso Fazer Fama", onde aborda as questões "contraditórias" que envolvem mercado fonográfico e o desenvolvimento do trabalho de pessoas que dependem do reconhecimento do público.
"É um tema questionável. Muita gente no rap acha feia a palavra fama, mas a fama é um brilho, é um brilho de uma conquista", explica. "A gente precisa mostrar para a adolescência, principalmente, que a esperança é a última que morre", continua, "mas que esperança pode ser uma coisa perigosa, pois sonhar demais é perigoso. Viver de sonho é perigoso", comenta. Para ele, o rap é a "música do possível". "É pura realidade", diz. "Eu vi e conheço pessoas que não entraram no crime e nem numa crise de depressão por causa do rap. Uma dessas pessoas, você pode lembrar, foi o Sabotage", cita, "mas ele saiu do crime", afirma, "mas o crime foi cobrar dele", completa. "Pois há uma diferença entre o rap do homem rico e o rap do homem pobre", opina. "A fama, a maior fama, é você conseguir o pão de cada dia", encerra.
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